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Por Thomas

O preço amargo do café: como as mudanças climáticas estão afetando sua xícara diária

COLUNA PAPO VERDE COM DANI FUMACHI

Por Thomas

Nos últimos meses, o preço do café tem atingido níveis recordes, gerando preocupação entre consumidores e produtores. Em janeiro de 2025, a saca de 60 quilos do café arábica alcançou R$ 2.301,60, o maior valor desde 1997. Essa escalada nos preços não é um fenômeno isolado e tampouco resultado apenas de fatores econômicos. Por trás desse aumento, há uma questão urgente e inegável: as mudanças climáticas.

A produção de café, altamente dependente de condições climáticas estáveis, tem sido severamente afetada por eventos extremos, como secas prolongadas, chuvas irregulares e temperaturas cada vez mais elevadas. No Brasil, maior produtor mundial, as lavouras foram castigadas pela pior seca em 70 anos, enquanto o Vietnã, segundo maior exportador global, lida com variações climáticas que comprometem a produtividade. O impacto já se reflete na oferta do produto e, consequentemente, nos preços.

Tá, mas o que as mudanças climáticas têm a ver com o aumento do café? Eu te explico!

O impacto das mudanças climáticas na cafeicultura

O café é uma cultura sensível. Para que a planta se desenvolva de forma adequada, são necessários períodos bem definidos de chuvas e temperaturas moderadas. No entanto, com o avanço do aquecimento global, esses padrões estão sendo alterados de forma brusca e imprevisível.

No Brasil, as lavouras foram severamente prejudicadas por uma sequência de eventos climáticos extremos. Primeiro, a seca histórica, que comprometeu a fase de crescimento das plantas. Depois, geadas inesperadas atingiram importantes regiões produtoras, afetando a floração e reduzindo a produtividade.

O Vietnã, responsável por grande parte da produção mundial de café robusta, também vem sofrendo com a instabilidade climática. Secas prolongadas seguidas por chuvas torrenciais afetam a qualidade dos grãos e a produtividade das plantações, registrou o The Times.

Segundo o Jornal UNESP, estudos indicam que, até 2050, as áreas adequadas para o cultivo de café no Brasil podem ser reduzidas em até 50% devido às mudanças climáticas. Isso não só ameaça a disponibilidade do café, mas impacta diretamente a vida de milhões de trabalhadores que dependem dessa cultura.

O peso no bolso e na economia

Com a produção ameaçada, o mercado reage da única forma possível: aumentando os preços. A oferta limitada, aliada à demanda crescente, especialmente em mercados emergentes, pressiona os valores do café para cima.

Em janeiro de 2025, o café moído registrou um aumento de 50,35% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para os consumidores, isso significa que o café deixou de ser um item básico e acessível para se tornar um luxo cada vez mais caro.

Para os produtores, especialmente os pequenos agricultores, a instabilidade climática representa um desafio gigantesco. Com margens de lucro reduzidas, aumento dos custos de produção e incerteza sobre a próxima colheita, a cafeicultura se torna uma atividade cada vez mais arriscada.

Uma crítica necessária: a responsabilidade da sociedade

Diante desse cenário, é fácil culpar apenas a natureza. Mas a verdade é que a sociedade como um todo é responsável pelo agravamento da crise climática.

Décadas de desmatamento, queima de combustíveis fósseis e práticas agrícolas insustentáveis aceleraram o processo de aquecimento global. O resultado? Um planeta mais quente, imprevisível e hostil para a produção de alimentos. Estamos colhendo o que plantamos – e, nesse caso, com uma colheita reduzida e um preço exorbitante.

O mais irônico é que, enquanto nos queixamos do valor do café, seguimos contribuindo para a sua escassez. O consumo desenfreado, a falta de compromisso com práticas sustentáveis e a inércia política diante da emergência climática são sintomas de um problema maior: a nossa desconexão com o meio ambiente e com as consequências de nossas próprias ações.

O que pode ser feito?

A solução não está apenas nas mãos dos produtores, mas de toda a cadeia – incluindo governos, empresas e consumidores.

Práticas agrícolas sustentáveis: Técnicas como sombreamento das plantações, sistemas de irrigação mais eficientes e diversificação de culturas podem aumentar a resiliência das lavouras.
Políticas públicas: Medidas para reduzir as emissões de carbono, incentivar pesquisas sobre variedades de café mais resistentes e oferecer suporte a pequenos produtores são essenciais.
Consumo consciente: Optar por cafés de origem sustentável e pressionar marcas e governos por maior responsabilidade ambiental são passos fundamentais.
A alta no preço do café não é um simples problema de mercado. É um reflexo direto da crise climática e das nossas escolhas como sociedade. Se não enfrentarmos essa realidade com seriedade, não será apenas o café que ficará mais caro – será a nossa própria sobrevivência que estará ameaçada.

O preço amargo do café: como as mudanças climáticas estão afetando sua xícara diária

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