O Largo da Matriz em três momentos

O Largo da Matriz, hoje Praça da Bandeira, é considerado desde os primórdios da cidade um dos principais logradouros públicos de Itatiba.
Com origens no século XIX, ao longo do tempo foi chamada de “Largo da Matriz”, “Praça XV de Novembro”, “Praça João Pessoa” e atualmente, “Praça da Bandeira”.
Remodelada em 1914, o traçado original da praça seguia os parâmetros de uma praça colonial, bastante assimétrico, pois geralmente os coretos situavam-se no centro da praça. Em Itatiba, nessa praça, o coreto foi locado em seu canto esquerdo de quem olha da Basílica, servindo de camarote para as autoridades assistirem aos desfiles cívicos, às procissões e outros eventos.
Com as sobras do empréstimo realizado para a construção da rede de esgotos, a Câmara de Itatiba, em 1906, decidiu mandar fazer um jardim na então Praça XV de Novembro e, para isso, contratou o engenheiro Antonio Ferraz Costa.
“Alguns afirmam que o Engenheiro Ferraz Costa teria feito viagens à Europa e trazido a ideia de copiar os jardins do palácio de Versalhes. Na verdade, ao que tudo indica, a verdadeira inspiração teria sido dos jardins ingleses, esses assimétricos, com canteiros com árvores, arbustos, grama e flores. Os jardins franceses eram perfeitamente simétricos e a vegetação plantada, principalmente em vasos, ou seja, não continham árvores. Já os Ingleses, eram sinuosos e com canteiros de grama, arbustos e árvores.” (em Pra ver a banda passar)
O Largo da Matriz já foi palco de grandes acontecimentos como a antecipada libertação dos escravos no município, ocorrida nos dias 28 e 29 de abril de 1888, semanas antes da assinatura da Lei Áurea.
Até o final da década de 1960, o Largo da Matriz mantinha a beleza e o charme com seus casarões, seu coreto e seu paisagismo original, como mostram três imagens feitas da torre da Matriz em momentos diferentes.
Em breve, o coreto vai passar por um processo de restauro. Com base em alvenaria, a sua estrutura em ferro foi fabricada em São Paulo pela Fundição do Braz, seguindo o estilo dos coretos do início do século XX.
Rogério Scavone é jornalista.
Email: scavonerogerio@gmail.com
Fonte de informações: Livro Pra ver a banda passar: a praça, o coreto e a Corporação Musical Santa Cecília. / Rubens Pantano Filho e Cid Camargo. FoxTablet, 2022. Textos de Paulo Henrique Degani.
Fotos: Acervo Foto Parodi
Vista do Largo da Matriz na década de 1910
Mesma vista em 1924
A Praça da Bandeira entre as décadas de 1940 e 1950